O pé diabético é uma complicação que pode surgir quando o diabetes provoca alterações nos nervos, na circulação ou na capacidade de cicatrização dos pés. O ponto mais importante é que o problema pode começar de forma silenciosa: uma pequena perda de sensibilidade pode fazer com que um corte, uma bolha ou uma área de pressão passe despercebida.[1] Por isso, a prevenção depende de observação regular e de avaliação profissional, e não apenas da presença de dor.
Para quem vive em Londrina e acompanha o diabetes, este artigo responde a uma dúvida prática: quais mudanças nos pés merecem atenção antes que se transformem em uma ferida? As orientações abaixo são educativas e não substituem uma consulta. Para organizar o cuidado com o diabetes, veja também o guia de diabetes em Londrina.
Resumo em uma frase
Inspecione os pés todos os dias, proteja a pele e procure avaliação diante de perda de sensibilidade, feridas, mudança de cor, inchaço ou sinais de infecção.
O diabetes pode contribuir para lesões nos nervos periféricos, condição chamada neuropatia diabética. A neuropatia pode causar formigamento, queimação, dor, dormência ou redução da capacidade de perceber pressão, temperatura e pequenos ferimentos. Segundo as recomendações da American Diabetes Association (ADA) de 2026, até 50% dos casos de neuropatia periférica diabética podem ser assintomáticos; quando a perda de sensibilidade protetora não é reconhecida, aumenta o risco de lesões e úlceras nos pés.[1]
A circulação também importa. Alterações no fluxo sanguíneo podem dificultar a cicatrização e tornar uma lesão aparentemente pequena mais difícil de tratar. Nem toda pessoa com diabetes terá pé diabético, e a presença de um sintoma não confirma a causa. A avaliação considera histórico, exame dos pés, sensibilidade, circulação e outros fatores individuais.[1][3]
Formigamento, dormência, queimação, sensação de agulhadas, dor ou piora desses sintomas à noite podem indicar alteração da sensibilidade. A pessoa também pode perceber que não sente tão bem o toque, o calor ou uma pequena pressão no calçado.[2][3] Esses sinais justificam avaliação, mesmo quando não há ferida visível.
Rachaduras, ressecamento intenso, calos, áreas endurecidas, cortes, bolhas, unhas encarnadas, mudança de cor ou deformidades podem criar pontos de atrito e pressão. A ADA recomenda olhar os pés diariamente em busca de feridas, cortes, bolhas, calos ou vermelhidão e avisar o médico quando alguma dessas alterações aparecer.[2] O Ministério da Saúde também orienta examinar os pés diariamente em local bem iluminado e pedir ajuda ou usar um espelho para visualizar a sola e os espaços entre os dedos.[3]
Uma ferida que não começa a melhorar em poucos dias, assim como vermelhidão crescente, calor local, inchaço, saída de secreção ou dor importante, precisa de avaliação profissional. Infecções nos pés de pessoas com diabetes podem evoluir rapidamente e, por isso, não devem ser tratadas apenas com automedicação ou curativos caseiros.[2]
1. Inspecione os pés
Olhe a planta, o dorso, os calcanhares, as laterais e os espaços entre os dedos. Use um espelho ou peça ajuda se não conseguir visualizar toda a região.[1][3]
2. Lave e seque com cuidado
Use água morna, teste a temperatura com a mão e seque bem, principalmente entre os dedos. A ADA orienta hidratar a pele ressecada, sem aplicar creme nos espaços entre os dedos.[2]
3. Corte as unhas com atenção
Mantenha as unhas aparadas e limadas nas pontas. Não retire cutículas nem tente cortar calos com lâmina, tesoura ou produtos químicos; essas práticas podem causar lesões.[2][3]
4. Proteja os pés
Use meias confortáveis e calçados bem ajustados. Antes de calçar, verifique se há pedras, costuras ou objetos pontiagudos. Evite andar descalço, inclusive dentro de casa.[2]
Também é prudente evitar bolsas de água quente, aquecedores diretamente sobre os pés e banhos muito quentes, pois a sensibilidade reduzida pode dificultar a percepção de queimaduras.[2] Se houver calo, deformidade, dificuldade para alcançar os pés ou histórico de ferida, peça orientação à equipe de saúde sobre a forma mais segura de cuidar da região.[1]
Procure avaliação se notar perda de sensibilidade, formigamento persistente, queimação, dor, rachaduras, calos, mudança de cor, ferida, bolha, corte, vermelhidão, inchaço ou saída de secreção. A avaliação deve ser ainda mais rápida quando houver uma ferida aberta, sinais de infecção ou dificuldade para caminhar.[2][3]
Não espere uma lesão melhorar sozinha por vários dias e não ajuste medicamentos por conta própria. O tratamento depende da causa e do risco individual, e a prevenção deve ser acompanhada pela equipe que cuida do diabetes.[1]
Sinais de urgência
Se houver dor intensa, piora rápida, vermelhidão que se espalha, inchaço importante, febre, mal-estar, tecido escurecido ou suspeita de infecção grave, procure atendimento urgente. Em uma emergência ou risco imediato à vida, acione o SAMU 192.[4]
Este conteúdo tem finalidade educativa, não fornece diagnóstico individual e não substitui consulta médica ou avaliação presencial. Pessoas com diabetes podem apresentar riscos diferentes; o plano de acompanhamento deve ser definido pela equipe de saúde. Não inicie, suspenda, troque ou ajuste medicamentos sem orientação profissional. Em caso de emergência, procure atendimento urgente ou acione o SAMU 192.[4]